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O Conforto da Ilusão
Não gostaria de deixá-lo na ilusão, mas o mundo é tão cruel e sem compaixão. Então tento buscar a conformação, para não sofrer as dores da alma e do coração. O mantenho enganado, iludido, para que ele não veja a real face desse mundo perdido. Tendo sempre em mente que aquela realidade não existe, mas que nossa verdadeira amizade ainda vigora e persiste. (By Ícaro).
Escrito por Ícaro às 18h52
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Música
Noite perdida não te lamento: embarco a vida no pensamento, busco a alvorada do sonho isento, puro e sem nada, _ rosa encarnada, intacta, ao vento. Noite perdida, noite encontrada, morta, vivida. (Cecília Meireles).
Escrito por Ícaro às 14h56
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O engenheiro
A luz, o sol, o ar livre envolvem o sonho do engenheiro. O engenheiro sonha coisas claras: superfícies, tênis, um copo de água. O lápis, o esquadro, o papel; o desenho, o projeto, o número: o engenheiro pensa o mundo justo, mundo que nenhum véu encobre. (Em certas tardes nós subíamos ao edifício. A cidade diária, como um jornal que todos liam, ganhava um pulmão de cimento e vidro.) A água, o vento, a claridade, de um lado o rio, no alto as nuvens, situavam na natureza o edifício crescendo de suas forças simples. (João Cabral de Melo Neto).
Escrito por Ícaro às 14h51
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Amar
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? Amar o que o traz à praia o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha é sal, ou precisão do amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este é o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. (Carlos Drummond de Andrade).
Escrito por Ícaro às 14h36
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A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa. Seu dorso frio é um campo de lírios tem sete cores nos seus cabelos sete esperanças na boca fresca! Oh! Como és linda, mulher que passas que me sacias e suplicias dentro das noites, dentro dos dias! Teus sentimentos são poesia teus sofrimentos, melancolia. Teus pêlos leves são relvas boas, frescas e macias. Teus belos braços são cisnes mansos longe das vozes da ventania. Meu Deus, eu quero a mulher que passa! (Vinícius de Morais).
Escrito por Ícaro às 14h07
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Motivo
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, _ não sei, não sei. Não sei se fico ou passo Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: _ mais nada. (Cecília Meireles).
Escrito por Ícaro às 13h56
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A mágica dos tolos
As pessoas antes do começo de tudo queriam a mágica, a mágica depois bem não se sucedeu e os egoísmos das massas cobraram o que se deveu. Mas como esperar que algo aconteça, por algo que ainda não aconteceu. (By Ícaro).
Escrito por Ícaro às 22h58
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A Rua Deserta
Sai para uma rua deserta com a certeza de uma destinação incerta, olhei para um lado e para o outro, refrescado pela brisa de um vento morto. Tentei ao máximo relaxar, mas tudo o que senti foi o cheiro da morte no ar. Pus-me a ir embora de lá para não mais sentir a maldade emanada por aquele lugar. (By Ícaro).
Escrito por Ícaro às 21h46
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A cabeça do corvo
Na mesa, quando em meio à noite lenta escrevo antes que o sono me adormeça, tenho o negro tinteiro que a cabeça de um corvo representa. A contemplá-lo mudamente fico e numa dor atroz mais me concentro: E entreabrindo-lhe o grande e fino bico, meto-lhe a pena pela goela adentro. E solitariamente, pouco a pouco, do bojo tiro a pena, rasa em tinta... E a minha mão, que treme toda, pinta versos próprios de um louco. E o aberto olhar vidrado da funesta ave que representa o meu tinteiro, vai-me seguindo a mão, que corre lesta, toda a tremer pelo papel inteiro. Dizem-me todos que atirar eu devo trevas em fora este agourento corvo, pois dele sangra o desespero torvo destes versos que escrevo. (Alphonsus de Guimaraens).
Escrito por Ícaro às 17h34
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Cavador do infinito
Com a lâmpada do sonho desce aflito e sobe ao mundo mais imponderáveis, vai abafando as queixas implacáveis, da alma o profundo e soluçado grito. Ânsias, desejos, tudo a fogo escrito sente, em redor, nos astros inefáveis. Cava nas profundezas eras insondáveis o cavador do trágico infinito. E quanto mais pelo infinito cava mais o infinito se transforma em lava e o cavador se perde nas distâncias... Alto levanta a lâmpada do sonho e com seu vulto pálido e tristonho cava os abismos das eternas ânsias! (Cruz e Sousa).
Escrito por Ícaro às 17h17
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Inexorável
Ó meu amor, que já morreste, ó meu amor, que morta estás! Lá nessa cova a que desceste ó meu amor, que já morreste, Ah! Nunca mais florescerás? Ao teu esquálido esqueleto, que tinha outrora de uma flor a graça e o encanto do amuleto ao teu esquálido esqueleto não voltará novo esplendor? (Cruz e Sousa).
Escrito por Ícaro às 17h07
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As pombas
vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais...Mais outra... Enfim dezenas de bombas vão-se dos pombais, apenas raia sanguínea e fresca a madrugada... E à tarde, quando a rígida noitada sopra, aos pombais de novo elas, serenas, ruflando as asas, sacudindo as penas, voltam todas em bando e em revoada... Também dos corações onde abotoam, os sonhos, um por um céleres voam, como voam as pombas dos pombais; No azul da adolescência as asas soltam fogem...Mas aos pombais as pombas voltam, e eles aos corações não voltam mais... (Raimundo Correia).
Escrito por Ícaro às 16h59
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, MEIER, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Informática e Internet, coleções ICQ - 300188370
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